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Ciclos: territorio e regeneraçao

  • 8 de jun.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 8 de jun.

Convido vocês a explorarem minha mais recente pesquisa artística em arte têxtil: a série Ciclos: território e regeneração.



Em fevereiro de 2026 iniciei meus estudos com tingimento em tecido, expandindo investigações que já vinham sendo estudadas através da aquarela e colocando em prática experiências da infância, quando observava minha mãe tingir roupas. Esse processo sempre despertou minha curiosidade.


A pesquisa surgiu como um espaço de experimentação e também de reconstrução pessoal, refletindo sobre recuperação, regeneração e as conexões que estabelecemos com os territórios que habitamos.



Tudo começou com um pedaço de tecido guardado que decidi reaproveitar. A partir dele desenvolvi experimentações utilizando folhas naturais, tinta de tecido e sal grosso. As folhas foram posicionadas sobre a superfície, recebendo camadas de tinta e sal. Em seguida, o tecido foi enrolado e permaneceu assim até a secagem completa, permitindo que os materiais reagissem de forma imprevisível.



O tingimento me aproximou dos sentidos e de novas possibilidades visuais para representar processos de regeneração e recuperação. Assim como a terra precisa de tempo para agir e se recompor naturalmente, o tecido também precisou de tempo para absorver os materiais e revelar suas marcas. O resultado trouxe texturas orgânicas e formas únicas, semelhantes aos processos de transformação observados na natureza.



Dessa investigação surgiram as obras Sucessão Ecológica, Movimento Contínuo e Terra Fértil, trabalhos que dialogam com os ciclos de regeneração presentes tanto na natureza quanto nos ciclos da vida.


Sucessão Ecológica


A instalação propõe um diálogo com o espaço expositivo por meio de um tecido suspenso que se movimenta suavemente com o ar, incorporando o tempo e a respiração do ambiente.

A obra investiga a relação entre biodiversidade, território e feminino como potências naturais. A floresta surge como símbolo da regeneração contínua, a partir de um tingimento realizado com tintas, folhas naturais e sal grosso, em um processo que levou dias para ser concluído, resultando em formas e texturas singulares.

Ao evidenciar a sucessão ecológica como um processo de recuperação e permanência da vida, a obra reforça a interdependência entre território, memória e futuro.



Artista: Brisa Botega

Título da Obra: Sucessão ecológica 2026

Material e técnicas : Arte Têxtil; Tinta, bordado, tecido, bambu, linha e folhas naturais.

Dimensões: 160 cm (altura) × 100 cm (largura)



"A sucessão ecológica é o nome que se dá à sequência de comunidades de seres vivos... É um conceito fundador em ecologia, com mais de um século, que se mantém central para o restauro de ecossistemas degradados."



Movimento Contínuo


Continuidade da obra Sucessão Ecológica, o trabalho reutiliza fragmentos de tecido que carregam as marcas do processo anterior.

A regeneração não começa do zero, mas acontece a partir do que permanece. Assim como na natureza, onde fragmentos são fundamentais para o retorno da vida, a obra propõe uma reflexão sobre território e memória, reafirmando a regeneração como um movimento coletivo, contínuo e perene.

  • Apresentada na VII Mostra Coletiva Bárbara Bigosinski de Artistas, em Ubatuba, São Paulo.


Artista: Brisa Botega

Título da Obra: Movimento Contínuo 2026

Material e técnicas: Arte Têxtil; bordado, tecido, tinta, bambu, linha e miçanga.

Dimensões: 148 cm (altura) × 50 cm (largura)




Terra Fértil


Comparando processos vividos com os ciclos da natureza e sua capacidade de regeneração, mesmo diante de desastres e do desmatamento, Terra Fértil reflete sobre permanência, esperança e renovação. A terra é fértil.



Artista: Brisa Botega

Título da Obra: Terra fértil 2026

Material e técnicas utilizadas: Arte Têxtil; bordado, bambu, tinta, tecido e linha.

Dimensões: 95 cm (altura) × 77 cm (largura)



Os pássaros são dispersores de sementes contribuindo para regeneração das florestas, simbolizam a continuidade da vida e dos processos de recuperação. Eles representam a possibilidade de recomeço e a habilidade que a natureza tem de se reconstruir, mesmo após fases de desequilíbrio e destruição.


A série Ciclos busca estabelecer um diálogo entre arte, território e natureza. As obras abordam o processo de regeneração, reconhecendo que toda transformação acontece em ciclos contínuos de mudança, permanência e renovação.

1 comentário

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Fernanda Morais
Fernanda Morais
08 de jun.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Essas obras nunca perdem o sentido, pois nós como a terra estamos em contante regeneração. Além do momento ser propício para refletirmos sobre nossa relação com o planeta também. Parabéns! Excelente trabalho.

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